Sobre este conteúdo

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação psicológica ou médica individualizada.

"Por que eu sou assim?" Essa é uma das perguntas mais comuns de quem convive com ansiedade intensa. A resposta honesta é que não existe uma causa única.

A ansiedade costuma surgir da combinação de vários fatores, alguns biológicos, outros ligados à história de vida e ao ambiente.

Conhecer esses fatores ajuda a tirar a culpa do caminho e a entender o que pode ser trabalhado.

Uma emoção necessária, que pode sair do equilíbrio

Antes de falar em causas, vale lembrar: a ansiedade em si não é um defeito. Ela é uma emoção que nos prepara para lidar com riscos e com o desconhecido.

O que se investiga, quando falamos em causas, é por que em algumas pessoas ela se torna tão frequente, intensa ou difícil de regular a ponto de causar sofrimento e limitar a vida.

Isso também exige uma distinção: sentir ansiedade não significa necessariamente apresentar um transtorno de ansiedade.

As condições clínicas envolvem características específicas que precisam ser compreendidas por meio de uma avaliação individualizada.

Fatores genéticos

Estudos com famílias e com gêmeos mostram que os transtornos de ansiedade têm um componente hereditário.

Uma revisão importante sobre o tema estimou que algo em torno de 30% a 40% da variação na vulnerabilidade a determinados transtornos de ansiedade, nas populações estudadas, pode ser explicado estatisticamente por diferenças genéticas.

Isso não significa que exista um "gene da ansiedade" nem que ter familiares ansiosos determine o seu destino.

Também não significa que 30% ou 40% da ansiedade de uma pessoa seja causada por seus genes.

Significa que existem diferenças individuais de vulnerabilidade que interagem com as experiências e as condições de vida.

A influência genética é importante, mas não explica sozinha por que alguém desenvolve um transtorno de ansiedade.

Temperamento

Desde a infância, algumas pessoas tendem a reagir com mais cautela ao que é novo: observam mais antes de se aproximar, ficam mais tensas em situações desconhecidas, demoram mais a se sentir à vontade.

Esse jeito de ser, chamado de inibição comportamental, está associado a um risco maior de determinadas dificuldades relacionadas à ansiedade mais tarde, especialmente à ansiedade social.

Ainda assim, ele não é uma sentença: o ambiente e as experiências fazem muita diferença em como esse temperamento se desenvolve.

Ter um temperamento mais cauteloso também não significa necessariamente apresentar um problema psicológico.

Experiências de vida

Eventos estressantes ou difíceis, especialmente quando intensos ou prolongados, podem aumentar a vulnerabilidade à ansiedade.

Perdas importantes, doenças, rupturas, experiências de violência, ambientes imprevisíveis na infância ou períodos longos de sobrecarga podem influenciar a maneira como a pessoa percebe e responde às ameaças.

Às vezes, a ansiedade não está ligada a um passado difícil, mas ao que a pessoa está vivendo agora.

Escrevi sobre isso no artigo Quando a ansiedade tem a ver com o momento que você está vivendo.

É importante reconhecer que experiências semelhantes não produzem necessariamente as mesmas consequências em todas as pessoas.

A história de vida participa da compreensão da ansiedade, mas não determina isoladamente como alguém se sentirá ou se comportará.

Aprendizagens

Também aprendemos a ter medo.

Isso pode acontecer por experiências diretas, como associar uma situação a um susto ou a um momento muito ruim, e também observando as pessoas ao nosso redor.

Crescer em um ambiente em que o mundo era descrito como perigoso, ou em que havia pouco espaço para enfrentar desafios com autonomia, pode influenciar a forma como lidamos com a incerteza.

Essas aprendizagens não são culpa de ninguém. Na maior parte das vezes, as famílias fizeram o que sabiam para proteger.

Mas entendê-las ajuda a perceber de onde vêm certas reações automáticas.

Também é importante reconhecer que essas experiências podem acontecer em contextos mais amplos, envolvendo escola, trabalho, relações sociais e condições de segurança.

Não aprendemos apenas com aquilo que outras pessoas nos dizem.

Aprendemos também com as experiências que vivemos e com as consequências que elas produzem.

Formas de pensar e de reagir

Alguns padrões psicológicos estão fortemente ligados à ansiedade: a dificuldade de tolerar a incerteza, a tendência a interpretar situações ambíguas como ameaçadoras, a preocupação excessiva e a evitação.

Eles podem ter começado por diferentes fatores, mas também podem participar da manutenção da ansiedade no dia a dia.

Por exemplo, alguém que teme ser avaliado negativamente pode começar a evitar situações sociais.

Essa evitação oferece alívio imediato, mas pode reduzir oportunidades de descobrir que determinadas experiências seriam manejáveis.

Em outros casos, a pessoa passa tanto tempo antecipando acontecimentos negativos que a preocupação se torna uma atividade constante, mesmo quando já não existem novas decisões a tomar.

Compreender esses padrões pode ajudar a identificar possibilidades de intervenção.

Entretanto, nem toda preocupação é excessiva e nem toda percepção de ameaça é equivocada.

O contexto precisa fazer parte dessa avaliação.

Fatores sociais e condições de vida

Existe uma dimensão importante da ansiedade que não pode ser deixada de lado: as condições concretas em que uma pessoa vive.

Insegurança financeira, desemprego, discriminação, violência, sobrecarga de trabalho e falta de apoio podem contribuir para experiências persistentes de medo, tensão e preocupação.

Essas situações não afetam todas as pessoas da mesma maneira, mas podem representar fontes reais de sofrimento.

Uma pessoa exposta continuamente a humilhações no trabalho, por exemplo, pode começar a antecipar novas situações de constrangimento.

Alguém que enfrenta discriminação repetida pode permanecer atento a sinais de ameaça em determinados ambientes.

Nesses casos, não seria adequado compreender toda a ansiedade como resultado de uma interpretação individual distorcida.

O sofrimento psicológico acontece na relação entre a pessoa e o mundo em que ela vive.

Isso não significa que os processos cognitivos e comportamentais deixem de ser importantes.

Significa que precisamos considerar como esses processos se desenvolvem e funcionam dentro de condições concretas.

Uma pessoa pode estar reagindo a dificuldades reais e, ao mesmo tempo, apresentar padrões de preocupação ou evitação que intensificam seu sofrimento.

Essas possibilidades não se excluem.

Na minha maneira de compreender a psicoterapia, reconhecer o contexto é parte de uma avaliação responsável.

Não se trata de escolher entre olhar para os processos psicológicos ou para as condições de vida.

Trata-se de compreender como essas dimensões se relacionam na experiência de cada pessoa.

Saúde física e substâncias

Algumas condições médicas, como alterações da tireoide, e o uso de certas substâncias, como excesso de cafeína, alguns medicamentos, álcool e outras drogas, podem produzir ou intensificar sintomas parecidos com os de ansiedade.

Por isso, quando os sintomas físicos são intensos, surgem de forma repentina ou apresentam características preocupantes, pode ser necessária uma avaliação médica.

Palpitações, alterações respiratórias, tontura e outros sintomas físicos não devem ser automaticamente atribuídos à ansiedade.

A saúde física também faz parte da compreensão do sofrimento psicológico.

Origem não é o mesmo que manutenção

Um ponto importante: nem sempre é preciso descobrir exatamente o que causou a ansiedade para tratá-la.

A genética e os acontecimentos do passado não podem ser modificados, mas os processos que mantêm a ansiedade hoje, como a evitação, a busca por certezas e determinadas interpretações de ameaça, podem ser compreendidos e trabalhados.

Isso não significa que toda dificuldade dependa apenas de mudanças individuais.

Às vezes, o sofrimento continua associado a condições presentes que também precisam de atenção, apoio ou possibilidades concretas de transformação.

Na terapia, olhamos para a história com cuidado, porque ela ajuda a dar sentido ao que você sente.

E olhamos, principalmente, para o que está acontecendo agora e para o que pode ser diferente daqui para frente.

Como a psicoterapia pode ajudar a compreender as causas da ansiedade?

A avaliação psicológica pode ajudar a organizar informações que, muitas vezes, parecem desconectadas.

Uma pessoa pode perceber que apresenta ansiedade desde a infância, mas que determinadas experiências intensificaram suas preocupações.

Outra pode identificar que o sofrimento aumentou durante um período de sobrecarga ou depois de uma mudança importante.

Também existem situações em que não é possível reconhecer uma origem específica.

Isso não impede que os processos relacionados à ansiedade sejam investigados.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, podemos compreender as relações entre pensamentos, emoções, comportamentos e circunstâncias de vida.

A partir dessa avaliação, são discutidas intervenções adequadas às necessidades individuais.

No meu trabalho, considero importante que o conhecimento científico oriente essas decisões sem reduzir a pessoa aos sintomas.

Sua história, suas relações, seus valores e suas condições de vida também fazem parte da compreensão clínica.

Buscar tratamento não significa encontrar alguém que tenha uma explicação pronta sobre você.

Significa construir uma compreensão cuidadosa do sofrimento e das possibilidades de cuidado.

Conclusão

Não existe uma explicação única para a ansiedade.

Fatores genéticos, temperamento, experiências de vida, aprendizagens, condições de saúde, processos psicológicos e circunstâncias sociais podem interagir de diferentes maneiras.

Compreender esses fatores ajuda a evitar tanto a ideia de que a ansiedade é uma característica imutável quanto a interpretação de que a pessoa é responsável por tudo o que sente.

Também nos lembra que descobrir uma possível origem não é a mesma coisa que compreender aquilo que mantém o sofrimento atualmente.

A psicoterapia pode ajudar a investigar essas relações e construir caminhos de cuidado fundamentados cientificamente, sem perder de vista a singularidade e o contexto.

Se você convive com ansiedade e gostaria de compreender melhor o que está acontecendo, não precisa descobrir sozinho a causa exata antes de procurar ajuda.

No meu atendimento em psicoterapia online, busco compreender os processos envolvidos na ansiedade considerando também a história e as condições de vida de cada pessoa.

Você pode conhecer minha proposta de atendimento e entrar em contato pelo site para conversar sobre a possibilidade de iniciar psicoterapia.

Perguntas frequentes sobre as causas da ansiedade

A ansiedade é genética?

Fatores genéticos podem contribuir para a vulnerabilidade a transtornos de ansiedade, mas não determinam isoladamente seu desenvolvimento. Experiências e condições ambientais também são importantes.

Ter familiares ansiosos significa que também vou desenvolver ansiedade?

Não necessariamente. A existência de transtornos de ansiedade na família pode estar associada a maior vulnerabilidade, mas não permite prever o desenvolvimento de uma condição em determinada pessoa.

Posso ter ansiedade sem ter passado por um trauma?

Sim. Não é necessário ter vivido uma experiência traumática para apresentar ansiedade intensa ou um transtorno de ansiedade.

Problemas no trabalho ou nos relacionamentos podem aumentar a ansiedade?

Sim. Situações de conflito, insegurança, violência, discriminação ou sobrecarga podem contribuir para o sofrimento psicológico. É importante considerar essas circunstâncias na avaliação.

Preciso descobrir a origem da minha ansiedade para começar a terapia?

Não. Compreender a história pode ser importante, mas o tratamento também investiga os processos que mantêm o sofrimento atualmente.

A terapia pode ajudar mesmo quando existem problemas reais na minha vida?

Sim. A psicoterapia pode contribuir para compreender o sofrimento, desenvolver recursos e avaliar possibilidades de cuidado e mudança, sem desconsiderar as condições concretas em que a pessoa vive.

Referências para aprofundamento